segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O que será do amanhã?! O que será, que será?

Futuro




De acordo com a atual liberação do pólo da emissão das informações, ou seja, o receptor passa a usufruir do papel de emissor, tornando-se gestor e propagador da informação, creio que o futuro do jornalismo - e, evidentemente, do jornalista - estará cada vez mais nas mãos dos cidadãos. Estes atuarão com mais força no papel de fiscalizadores e contribuintes do material produzido pelos veículos de comunicação e assumirão significativa notoriedade, dependendo da proporção e repercussão de suas idéias. Mas, pensar no fim do jornalismo, ou na substituição de profissionais por contribuintes e abastecedores de informação é apostar numa visão apocalíptica da profissão frente ao atual cenário tecnológico promissor.

Explico-me. Quem vive e exerce a profissão está ciente de que quando se produz um material investigativo, ele adquire muito mais o valor de credibilidade ao estar fundamentado na visão de especialistas para discorrerem sobre os temas que compõe os fatos. Analisando, de uma forma simplista, as principais atribuições de um jornalista, devem ser – e a sociedade espera que assim sejam – imparcialidade, seletividade, ser dinâmico, consultor de fontes e de materiais, reprodutor da realidade, expondo todos os lados que configuram o fato. E tudo isso para que seu público, ao ter contato com a sua produção, construa as suas próprias conclusões, através da confiança depositada ao trabalho realizado.

Das informações geradas por cidadãos leitores e pessoas comuns, em sua maioria, elas são diretas, posicionadas sobre um determinado problema e embasadas em suas cargas de experiências/vivências, podendo ou não estar comprometida com a verdade/realidade, podendo ou não, estar creditada a fontes ou com os principais envolvidos ao fato.

Definições estas que sempre estarão claras e presentes na consciência daqueles que procurarem por uma informação, aonde quer que ela se encontre. Sendo assim, o cidadão e receptor comum vai procurar saber o que o blogueiro está reproduzindo sobre um determinado fato, mas também como ele estará repercutindo no jornal ou mídia de sua preferência.















Entre outras palavras, sempre haverá espaço e públicos para os dois tipos de veiculação e reprodução da notícia.

É o que, em termos de aproximação, acontece com as tevês comunitárias ou os veículos ditos alternativos. Por serem regionais e possuírem caráter mais próximo do seu tipo de sociedade, elas são em sua maioria realizadas por pessoas que não possuem nenhum tipo de formação, porém mesmo assim chamam atraem o público. Público este que não deixa de assistir e acompanhar a informação em um veículo jornalístico como o Jornal do Almoço, por exemplo.

Outros motivos






Por mais que o receptor emissor possa se manifestar, fiscalizar e dirigir a sua própria informação através da web, o sistema capitalista jamais contribuirá para que elas abandonem as suas próprias profissões e passem a assumir o papel do jornalista, que é o de checar e se envolver diretamente com os fatos que compõe a realidade, para depois publicá-los. Pois para isso, perde-se tempo, dinheiro.

E aqueles que ainda assim se dedicarem e proporem-se a realizar um trabalho de cunho jornalístico, se não ganharem destaque ao serem convidados a integrar os veículos de comunicação, ganharão quanto muito notoriedade e um número amplo de leitores/visitantes, podendo ainda servirem de fontes de consulta – com determinados grau e juízos de valor - aos profissionais da área.

Entre outras palavras, o emissor comum oferece uma nova leitura à informação, contribuindo para que profissionais aprofundem ainda mais os seus conhecimentos, refletindo isso em sua produção.

Concordo, em excelência, com a teoria que prega que os jornalistas exerceram o papel de arquitetos e organizadores das informações geradas na web ou por qualquer outra mídia. Porém, isso não é nenhuma novidade para aqueles que já atuam na área hoje, pois esta premissa já é uma exigência do mercado e vem há algum tempo sendo executada - com mais ou menos intensidade - por estes profissionais.

O que vejo com o amadurecimento e a transparência da informação em “postcad” na web, exposta pelos usuários comuns através de blogs e tantas outras ferramentas de colaboração GRATUITAS, não é uma interferência ou um rompimento ao trabalho jornalístico e sim uma influência e contribuição ao (re)nascimento de uma verdadeira opinião pública, por anos explorada pela mídia de forma tão utópica e sem valor.

A exemplo, podemos analisar o que ocorreu no início do mês de outubro com o apresentador Luciano Huck, que após ser assaltado publicou um desabafo em forma de um artigo veiculado em um jornal, sobre a insegurança vivida pelos cidadãos no país. Duramente criticado pelos leitores através de cartas aos jornais, fóruns e blogs exibidos na web, a repercussão das críticas foi tão rápida e tamanha que, uma semana depois - mais uma vez - o apresentador voltaria a ser contemplado com um espaço relevante – nas páginas amarelas da Revista Veja - para falar sobre as críticas sofridas e a sua visão da insegurança no país.

O que rendeu a entrevista amarela da Veja?!Fora outras centenas de comentários via web, absolutamente, nada. Ao ser questionado pela revista o que deveria ser mudado para aperfeiçoar a segurança o apresentador preferiu abster-se: “não sou indicado para falar sobre o assunto”. Mesmo assim, a repercussão de uma suposta opinião pública rendeu três páginas na revista.


Em suma

Por mais que sejam crescentes e ascendentes as ferramentas participativas, de gestão da informação, elas estarão integradas a um segmento do jornalismo, como tantos outros, em que o emissor comum influente e notório em suas deduções será contribuinte e elemento para a produção de informação. O “Webjornalismo Participativo” – ou o Open Source – em nada irá alterar a atual estrutura da profissão. Apenas se trabalhará com um número maior de fontes, opiniões e vertentes de um fato. A novidade fica por conta da repercussão que um trabalho desenvolvido por um profissional alcançará.

Portanto, sempre haverá públicos híbridos para as duas formas de disseminação da informação: aqueles que desejam se informar diretamente por fontes (cientes do não compromisso e veracidade dos fatos apresentados) e aqueles que vão querer se alimentar por profissionais que possuem a imparcialidade e compromisso com que produzem. O futuro que prevejo é: jornalistas alimentando as fontes abertas, e vice-versa.

O jornalismo participativo, não só no Brasil como no mundo todo, está em fase de ascendência, porém, eu, como futuro jornalista, o vejo ainda muito imaturo. Ferramentas dispostas na web parecem carecer de definições, aproveitamento e finalidade. Falta um consenso em relação à prática. Observo que em todos os sites de contribuição do cidadão, existem as mesmas fontes que os abastecem com a continuação dos mesmos fatos e mais: brincam de serem jornalistas. Só que em toda a brincadeira há regras que devem ser bem estabelecidas para que haja funcionalidade, e aí vai ser a hora de se perguntar se o participativo veio para ficar. Enquanto isso, os blogueiros ainda serão a melhor de repercussão da informação na web.

As Mídias

Se há tempos a mídia impressa já enfrenta o desafio de ser tão dinâmica e atual, assim como a televisão e a rádio são, com a web cada vez mais popularizada, a mídia impressa terá que se reinventar. Penso que, no futuro, ela deverá se valer de rigorosas e modernas ferramentas de trabalho – máquinas de impressão mais ágeis, jornalistas escrevendo suas matérias diretamente do local da informação (ok, isso já acontece hoje, mais essa premissa precisa ser mais dissiminada) – e promover novas formas de publicação da notícia.

Talvez, se pudesse prever o futuro dessa mídia, acredito que ela passaria a ter um caráter de matérias com ainda mais profundidade e com dias específicos de circulação – algo parecido com as revistas semanais. Mas antes, ela ainda poderia tentar algo como, duas ou três vezes por semana.

Isto devido a atual vida frenética, corrida das pessoas - que mal conseguem ter um horário no período matutino para si, o que dirá para ler 10% de tudo o que está presente no jornal. Quem sabe, o novo proposta seria estabelecer um novo horário para a entrega na casa das pessoas: ao invés do período matutino, o noturno. Porém, para isso seria exigido uma avassaladora mudança nas estruturas atuais das redações e dos instrumentos de trabalho dos jornalistas: cadastramento de notícias via web, produção noturna e matutina, fechamento de edição vespertino.

Em relação aos profissionais que alimentam a tevê e o rádio, creio que não ocorrerá nenhuma novidade: eles continuarão se pautando pela web e a complementando. Em termos de instantaneidade, o mesmo: notícias locais, a web se privilegiará deles, e em relação às notícias mais amplas, como país e mundo, a web será a principal fonte de consulta da informação.

2 comentários:

Gabriela Zago disse...

É só aumentar um pouquinho, citar alguns autores, e já sai um TCC :D

raquel disse...

Pois é! Boa reflexão, Bruno! :)

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