- 10ª Atividade
“Sem hora para nada. Sem fim de semana (...) Precisamos estar sempre estudando, lendo, buscando atualizações em seminários, pós-graduações, novas faculdades”. E essa é apenas uma das visões que dirigem e comandam a vida corrida do jornalista Marcus Spohr. Há 10 anos trabalhando na área e contabilizando mais de seis mil reportagens na bagagem, Marcus é graduado pela Universidade de Passo Fundo (UPF), no curso de Comunicação Social em Rádio, Televisão e Vídeo.
Sua competência e habilidade fazem com que suas reportagens, seguidamente, estejam em destaque, abrindo ou complementando o noticiário televisivo da principal emissora do país. E o que Spohr, pensa em relação aos profissionais que já se encontram ou pretendem engajar-se no mercado de trabalho? “Para mim, o mercado está ao mesmo tempo saturado e aberto. Saturado para os iguais, aqueles que não buscam o aperfeiçoamento, e que ingressam no jornalismo como forma de status. Porém, ele está aberto para os profissionais que estão dispostos a se dedicar. Jornais, rádios, tvs, assessorias de imprensa. As opções são muitas, o importante é definir o foco e trabalhar por ele”.
Inquieto e em busca de mais formação e da parte mais teórica do jornalismo, o comunicador social prepara-se agora para graduar-se, no próximo semestre, na Universidade Católica de Pelotas. E nesta entrevista, você acompanha o que pensa e qual a posição do jornalista em relação ao atual cenário da comunicação.
>> A ENTREVISTA
1) Em que momento você decidiu e optou por esta profissão?!
Spohr - Sempre fui um apaixonado pelas pessoas. Quando criança, eu era "metido" em tudo. Queria saber, ajudar, fazer. Com isto, me envolvia em tudo que estava ao meu alcance. Lembro que minha primeira participação em um veículo de comunicação foi cantando em uma rádio da minha cidade: a rádio Navegantes, em Alecrim, na região de Santa Rosa. Eu devia ter uns 7 anos. Neste período eu já cantava também em festivais de música. Isto possibilitou um contato desde muito cedo com o público, e ajudou com que eu tivesse facilidade com movimentos estudantis mais tarde.
Por três vezes, fui presidente de Grêmios Estudantis, e pensava em seguir - a exemplo dos meus pais, avós e tios - a vida política. Mas, aos 18 anos uma decepção com os "políticos" me fez ver com outros olhos o sistema nada democrático que vivemos em nosso país. Porém, esta decisão abriu outras oportunidades, e eu decidi fazer comunicação social em Passo Fundo. Em resumo, é isto: a vontade de comunicar e estar entre as pessoas sempre esteve presente.
2) Para quem está na área e um dia pretende seguir nesta empresa, como é trabalhar para a RBS TV?!
Spohr - A RBS é a maior empresa e ao mesmo tempo a melhor "escola" de comunicação do Sul do Brasil, e uma das melhores do País. Nela aprendemos o verdadeiro fazer jornalístico do dia a dia. Passando por ela, acredito que quem souber aproveitar, abre as portas em qualquer outro veículo do país.
3) O que te agrada e o que tu detesta no jornalismo?!
Spohr - Eu não sou a favor do superficial. Acredito que o jornalismo deve informar e educar. Porém, muitas vezes o que vemos, é apenas a informação crua... Penso que as reportagens devem mostrar os problemas, mas também apontar alternativas. Devem denunciar as corrupções, mas também incentivar ao não uso de artimanhas desleais. E isto, não está presente, na minha opinião, no dia a dia das redações.
4) Se não fosse jornalista, qual a possível profissão que seguirias? E Porquê?!
Spohr - Sou apaixonado pela comunicação, como já citei. Se eu não estivesse no jornalismo, eu com certeza estaria ou dentro de uma sala de aula, falando sobre assuntos de comunicação interpessoal, ou num palco falando sobre o mesmo tema. Amo tanto o ato de comunicar, que eu criei minha própria forma de me relacionar. Como deu certo pra mim, acho que poderia dar também para os outros.
Por isto pretendo, a exemplo do que já fiz, em algumas situações, ser conferencista, sobre questões ligadas a importância da boa comunicação e do bom relacionamento entre as pessoas. Tudo fica mais fácil, quando sabemos nos comunicar e relacionar com as pessoas.
(2ª rodada)
5) Qual o melhor trabalho que já realizasse como profissional? E porquê?
Spohr - Falar de um trabalho específico é difícil. Nestes 10 anos de profissão, já passei por 5 emissoras de rádio, um jornal impresso, e três emissoras de televisão. Já tive que mudar de cidade pelo menos 7 vezes por causa da minha profissão. Já fiz mais de seis mil reportagens, e escolher uma delas, repito, é difícil.
Entre as que marcaram vou citar três: a) o assassinato de um promotor de justiça em Santa Rosa. O autor era um policial militar, amigo meu de infância. Foi difícil fazer a matéria, com informações veiculadas para todo país, tendo que falar de um amigo. O mais complicado foi estar frente a ele, e ter que fazer o meu trabalho, sem deixar a emoção falar mais alto. b) Uma reportagem com câmera escondida, sobre o contrabando de combustíveis da Argentina para o Brasil. Disfarçado de boné e óculos, negociei a compra de gasolina com um contrabandista. O risco valeu à pena. A matéria abriu o Jornal da Globo. c) O relato de uma família que tem uma síndrome rara. Os cinco irmãos se movimentam como quadrúpedes. Fiz este VT em Canguçu. O fato chamou a atenção de pesquisadores mundiais, já que é raríssimo no mundo. Apenas uma família com a mesma síndrome foi localizada na Turquia. Assim, prefiro não falar do melhor trabalho, já que em jornalismo, a melhor reportagem, pode ser vista como o pior, e vice versa.
6) Para quem está iniciando o curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, o que tu recomendarias?!
Spohr - Se dedicar ao teórico-jornalístico é importante. Ter embasamento é fundamental. Mas é importante que na faculdade, além das disciplinas específicas do jornalismo, os estudantes dêem importância para disciplinas que discutam as questões éticas e sociais do jornalismo. Sair da faculdade sabendo escrever, editar, narrar e produzir reportagens é fundamental, básico, imprescindível. Mas esta prática, se aprende no dia a dia.
Agora, para saber olhar o mundo com olhos críticos, com uma visão que possa contribuir para a sociedade, é necessário obter embasamento, estudo, discussão. Por isto, os alunos devem sim buscar a aprendizagem jornalística, mas devem exigir que as faculdades tenham espaços e disciplinas para o debate ético e social do jornalista.Outra sugestão, é que o estudante busque estágios remunerados ou não, desde o primeiro dia de aula: rádios, tvs, jornais, instituições. Passar por inúmeras empresas antes de se formar, representa experiências e visões de jornalismo diferentes, já que cada empresa, cada editor, cada chefe tem uma visão editorial diferente.
7) Em relação ao teu futuro, quais as tuas metas e o quais são as tuas buscas para o aprimoramento da tua profissão.
Spohr - Sem hora para nada. Sem fim de semana. A vida de repórter que atua na geral é assim. Você está sempre na ativa. Dentro ou fora do trabalho, desligar é difícil. É preciso se empenhar ao máximo, buscar o diferencial.
Ganchos jornalísticos, diferentes do comum, são fatores determinantes para o crescimento na profissão. Ver algo que todos os outros repórteres não enxergam, é imprescindível. Fugir do padrão, e ser diferente é muito importante.
É assim que eu tento levar o meu dia a dia: sendo dedicado, correto com os colegas e com as fontes, ético ao conduzir e escrever as reportagens, e, acima de tudo, respeitando o telespectador, que é o motivo do nosso trabalho.Aliado a isto, precisamos estar sempre estudando, lendo, buscando atualizações em seminários, pós-graduações, novas faculdades. Só assim podemos pensar em um futuro melhor. Só assim podemos caminhar e chegar à meta de ser um comunicador de referência nacional.
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